segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Sombras e Outras Histórias - das Artes

João Paulo Serafim (1974), sem título, da série Je t'Aime, Moi Non Plus, 2005


Quando vidi costui nel gran diserto,
  'Miserere di me', gridai a lui,
  'qual che tu sii, od ombra od omo certo!'.
Dante (1265-1321), La Divina Commedia, Inferno Canto I:61-99

Dante encontrava Virgílio, sombra ou homem, encontrando o seu guia para o inferno. A nós, as sombras irão guiar-nos pela história das imagens, com e sem movimento, com ou sem vontade de arte - seja isso o que for. Sem nome, a jovem filha de um oleiro de Corinto, contorna com uma linha a sombra do amante que parte, agarrando-lhe, com esse gesto, uma presença, na iminência da sua ausência - substituindo o viajante por uma imagem. O que agarrou da sua sombra. Originava a pintura pelo retrato.

Na Hélice, segundas 19 e 26 de Fevereiro e 5 e 12 de Março, entre as 19 e as 21 horas.

terça-feira, março 14, 2017

Novos cursos, novas datas

Alfred Hitchcock (1899 - 1980), North by Northwest,  1959. Fotograma.


Já este mês, vai começar, na Hélice o primeiro módulo do curso Cruzamentos: "Tudo o Que é Sólido Desfaz-se no Ar". A pintura, a escultura, a fotografia, o design, a arquitectura, a música e o cinema, as vanguardas, as eutopias, as distopias e as derisões. O século XX.
ATENÇÃO: o curso terá início no próximo dia 7 de Abril, atrasando-se uma semana.

No início de Abril, o Atelier de Lisboa propõe novas datas para o curso E o Resto... (Paisagem Fotografia e Arte Plásticas).


segunda-feira, outubro 10, 2016

Cruzamentos na Hélice

Vladimir Tatlin (1885-1953), modelo para o Monumento à III Internacional Socialista, 1919-1920

O curso Cruzamentos regressa, na Hélice, a partir de Março de 2017: mais informações no blog do curso e no site da escola.

quarta-feira, setembro 07, 2016

À Volta de Pollock

Hans Namuth, Jackson Pollock, 1950, 47,6 x 45,7 cm., impressão em gelatina de prata (1981), número de edição 9/50

Pollock como pintor "puro", herdeiro da libertação malevichiana da cor. Pollock como pintor do progresso norte-americano, construindo, sobre os modernismos europeus, uma abstracção mais radicalmente abstracta. Um pintor de reflexão.

Pintor "impuro", destruidor da pintura, arremessador de matéria para o chão que pisamos. Xamã em transe - pintor de acção.

Pollock anda à volta da tela parcialmente desenrolada no solo e nós andaremos à volta dele, traçando os nossos percursos pela sua pintura e tecendo as teias que a liguem à arte do século XX.


Horário:  3, 5 e 7 de Outubro

2ª feira, 4ª feira e 6ª feira das 18h30 às 20h30

Local: MArt

terça-feira, abril 12, 2016

E o resto... (Paisagem, Fotografia e Artes Plásticas)

Alberto Carneiro, Escultura Dentro da Floresta, 1968-69.  Ferro, madeira, corda, fotografia a p/b, 200 x 100 x 600 cm. Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição 1991

O resto, como sabemos, é paisagem: o que resta de um mundo transformado em função da humanidade, o que resta do campo num mundo urbanizado ("Portugal é Lisboa"). O que resta dos locais num mundo global. O que resta da natureza num tempo de cultura. O outro, o cenário, o pecado, o eco, o segredo, o irmão, o perigo, a perda, o sublime. Natureza, paisagem e imagem, do pictórico e plástico ao fotográfico, sem e com movimento - em tempos digitais. Dos fins de um tempo.

Calendário:
8 Semanas - 1 sessão semanal
Quinta-feira 19h30 - 21h30
28 de Abril a 23 de Junho de 2016

Local:
Atelier de Lisboa

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Transparência

Filippo Brunelleschi (1377-1446), Basilica di Santo Spirito, séc. XV, Florença

Podemos pensar a transparência próxima da universalidade da inteligibilidade das leis universalidade das leis, enquanto leis aplicáveis a todo o Universo, ao Todo, a tudo, e universalidade da inteligibilidade, acessível ao universo dos seres racionais. A transparência revela o escondido, abre, expõe, atravessa, liga tudo. Comunica.

Sendo a transparência, à letra, uma qualidade visual, uma maneira de atravessar o que aparece, essa universalidade racional tende a apoiar-se nos sentidos. E a ultrapassá-los: o cálice onde Uccello (?) ensaia a perspectiva ou uma cabeça de Gabo não se deixam atravessar pela luz. A luz que os atravessa nãé sensível, é a da razão, a do saber - mas, também poderia ser luz metafísica e espiritual...

San Lorenzo, em Florença, dialoga com a razão, com a visão, com o saber - mas, em Paris, a Sainte-Chapelle orquestra um espectáculo de cor, onde a luz do Sol se transubstancia em luz divina pelos vitrais.

Uccello inscreve uma ordem que Gabo desordena: "tudo o que é sólido desfaz-se no ar". Troca-se o dentro e o fora, o côncavo pelo convexo, os cheios e os vazios, o visível e o invisível...

A transparência ameaça, visualmente, a massa, o peso, a matéria: como acreditar que o transparente aceita esses outros predicados, como acreditar que as coisas transparentes, invisíveis, também são maciças, pesadas, duras?

Por aqui, a transparência ruma á desmaterialização.

Dos perspécticos aos modernistas geralmente anti-perspécticos, a transparência encontra recurso formal frequente na substituição dos tácteis volumes pelos visuais planos. Bidimensionalidade - até para pensar a escultura.

E a pintura no epicentro: a opacidade da pintura moderna procura a transparência da janela, Mas, procura-a, inevitavelmente, através das opacidades da tela e das tintas. Pulsação radical da imagem entre visíveis e invisíveis, entre matérias e desmaterialização e rematerializacões, entre bidimensional e tridimensional, presenças e ausências.

O bidimensional parece que vai a caminho da desmaterialização: e, depois, tantas vezes, é por aí mesmo que encontra a matéria. Por aí mesmo é que a imagem se faz objecto. Tão nua e verdadeira e plana, a falsamente olímpica Olympia no seu quarto, que se esquiva à profundidade - e tão fortes pulsam a tela e as tintas sob a imagem. O Sr. Picasso colará papéis nas telas e a transparência revelará opacidade e a imagem objectos e os objectos imagens, a transparência que abre o fechado e torna visível o invisível e bidimensionaliza o tridimensional. E a tela será um território junto ao chão, para onde o artista actor atirará matéria que, por acaso e por enquanto, ainda é tinta, por enquanto, antes de serem pneus empilhados num beco nova-iorquino. E o quadro poderá  pensar-se como um flatbed picture plane, depois de já se ter feito e pensado perto da escultura, em equívoco com ela.

Imagens e objectos. Imagens em objectos: como as fotografias que saltam de suporte em suporte, se multiplicam e reaparecem, uma e outra vez. Imagens de imagens, que preservam e inventariam e arquivam - e transformam. Teria o Sr. Duchamp, o Marcel, modificado a pilosidade da incógnita dama de Leonardo se só dispusesse do original do Louvre? A imagem no museu, a recordação do museu - a imagem que já é museu. Pintar a fotografia, pintar como uma fotografia, fotografar como a pintura.

E a moldura, que se abre para o quadro que se abre para a história e para os mundos quando as presenças dos materiais aceitam dissimular-se para simularem a sua própria ausência - e a moldura? Bom: digamos, por agora, que está ao lado - também ela visível e invisível, presente e ausente, fechando e abrindo, separando e ligando. Por todos os lados.

Sol LeWitt, Untitled from Squares with a Different Line Direction in Each Half Square, 1971. MoMA

O presente texto foi publicado como folha de sala da exposição Coterie, patente no nº 113 da Av. Barbosa du Bocage, em Lisboa, de 21 de Novembro a 20 de Dezembro de 2014. Expunham Ana Morgadinho, Ângela Dias, Catarina Osório de Castro, José António Quintanilha, Luís Luz, Maria João Brito, Nuno Barroso, Pedro Calhau e Ricardo Pires. A exposição hesitou entre o título que usou e Ao Lado, o que justificou a inclusão do último parágrafo.

terça-feira, março 25, 2014

Histórias de sombras


Murillo, La Invención de la Pintura, 1665. Óleo sobre tela, 169x115 cm. Museul National da Arta, Bucareste
Histórias de sombras, como aquela da inominada filha de Butades, que, na ansiedade da perda daquele que amava, lhe contornará a sombra com uma linha, enquanto ele dormia, antes da partida: segundo Plínio, dava origem à pintura e ao retrato

Que cor tem a sombra - faz sentido perguntar? Remete-nos para a ausência ou para a presença, para o escuro ou para a luz?

Para conversar, em Mart, no  2º andar do nº12 da Rua Rosa Araújo, em Lisboa, a partir das 18 horas da próxima 5ª Feira, dia 27.

segunda-feira, outubro 14, 2013

Ano lectivo de 2013-2014

Claude Monet (1840 - 1926), Impression, Soleil Levant, c. 1872. Óleo sobre tela, 48x63 cm. Musée Marmottan Monet, Paris

Inicia-se, hoje, a partir das 21 horas, o curso "A Arte Moderna", no Ar.Co (Rua de Santiago, 18, Lisboa). É muito importante estar presente na primeira aula: serão apresentados, em pormenor, o curso e a bibliografia.

O presente "blog" oferece muita informação.  Consultem-se, para começar, as etiquetas "" e "Bibliografia".

domingo, outubro 13, 2013

Suspensão

Naum Gabo (1890 - 1970), Kinetic Construction (Standing Wave), 1919-20, replica 1985. Metal, madeira pintada e mecanismo eléctrico, 616 x 241 x 190 mm. Tate

Termina, uma vez mais, o período de suspensão do nosso curso: inicia-se, amanhã. um novo semestre.

O que o motorizado artefacto faz não é ignorado pelo suporte fotográfico da imagem - de alguma maneira, ao contrário da fotografia (mas não exactamente): ambos, a construção de Gabo e a fotografia, jogam com a relação de um momento com outros que o antecedem e lhe sucedem. A fotografia pára - suspende o movimento, o tempo. Imagem positiva que pressupõe, sempre, outras - potenciais ou actualizadas. E a que o cinema (depois o vídeo, agora o digital) deu movimento.

O artefacto pioneiro da escultura cinética pede ao movimento, em acção, que lhe dê forma (em vez de lha desfazer, em abandono da representação que já lá não estava): aquela forma de fuso que a lâmina metálica assume quando o motor é ligado - mas que melhor se percebe quando a fotografia congela - suspende. Por aqui, poderemos dizer que a construção cinética, para fazer imaginar uma onda em pé, nos pede que, intelectualmente, a imobilizemos, não para lhe parar o movimento, mas para o congelar à maneira da fotografia. O seu já é, aliás, um movimento imóvel: não vai a lado nenhum.

Não se duvide: o declínio da chegada restrita que exigia ainda um movimento de deslocação física de baixo para cima, no acto de nos levantarmos para partir, uma circulação do próximo para para o longínquo, no acto de viajar, representa, para a humanidade, uma mutação tão considerável como a da verticalidade. Com a diferença de que não se trata já de uma 'evolução positiva' rumo a um novo tipo de motricidade, mas sim de uma 'involução comportamental negativa' que conduz a espécie para uma fixidez patológica: o advento do homem sentado ou, pior ainda, do homem deitado
          Paul Virilio, A Inércia Polar, Lisboa D. Quixote, 1993, pág. 106

 Como as máquinas ópticas e o cinema de Marcel Duchamp (1887 - 1968), a construção de Gabo gira no mesmo lugar - como o a "Roda de BIcicleta"(1913), não vão a lado nenhum.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Ano lectivo de 2012-2013

Robin Fior (1935 - 2012), cartaz para o Ar.Co, 1976

 LE NON SAVOIR DÉNUDE
Cette proposition est le sommet mais doit être entendue ainsi: dénude, donc je vois ce que le savoir cachait jusque-là, mais si je vois je sais. En effet je sais, mais ce que j'ai su, le non-savoir le  dénude encore. Si le non-sens est le sens, le sens qu'est le non-sens se perd, redevient non-sens (sans arrêt possible).
Georges Bataille, "L'Expérience Intérieure" in OEuvres Complètes, vol. V, Paris Gallimard, 1973, pág. 66

Inicia-se, hoje, às 21 horas, na Rua de Santiago nº 18, em Lisboa, mais um semestre do curso A Arte Moderna. É importante a comparência na primeira aula, onde se apresentarão o curso, a bibliografia e os participantes. No "blog", encontrar-se-à a versão "online" da bibliografia, bem como outras informações úteis: a etiqueta "bibliografia", na barra lateral de "links", reúne textos e apoio bibliográfico para questões particulares abordadas ao longo do curso; na etiqueta "semestre" encontrar-se-ão outras entradas que apresentam o curso no início de outros ano lectivos.

segunda-feira, julho 02, 2012

Vanguardas, Neo-Vanguardas e Transvanguardas na colecção


Georges Vantongerloo (1886-1965), SXR/3, 1936, Museu Colecção Berardo, Belém.


Sexta-Feira próxima (dia 6 de Julho) visitaremos o Museu Colecção Berardo - caso haja participantes. Estão todos convidados: os alunos do último semestre, bem como os de outros semestres há mais tempo passados, os alunos da  "Arte Moderna", bem como os dos "Cruzamentos", sózinhos ou acompanhados.

É necessário que, havendo interessados, se inscrevam no "blog", usando a caixa de comentários: sugiram uma hora para a visita  (entradas até às 18:30) e mantenham-se atentos a este "post" Sem inscrições, a visita não se fará. Se preferirem que os vossos comentários não sejam publicados, basta afirmarem-no no próprio comentário. Não hesitem em fazer qualquer outra sugestão.

quarta-feira, maio 02, 2012

Suspensão - uma vez mais

 
Marcel Duchamp (1887-1968), Roda de bicicleta, réplica dos anos de 1960 (?) de uma "assemblage" relaizada pela primeira vez em 1913

A coisa é a seguinte: mais uma peça para juntar à crise do objecto que estudámos nas aulas dos "Tópicos nas Artes do Século XX", a que se refere a entrada anterior - um texto de Paul O'Kane publicado no último número (356, May 2012) da revista britânica Art Monthly.

The Thing
Do you believe in things? asks Paul O'Kane

 
In a western world dominated by immaterial labour, and where scientists and philosophers have thrown into doubt our understanding of physical objects, how have artists – from John McCracken and John Hilliard to Wood & Harrison and Andrew Dodds – questioned and defended the nature of things?
'Sculpture, of all the arts, must surely be responsible for mapping the various journeys of thinghood. "What is a Thing?" – the question Heidegger asked in the 1920s – turns out to be a question that we have to keep asking.'

Suspendemos, numa imobilidade não inteiramente verdadeira e o grosso da acção passa para o blog dos Cruzamentos.

A imobilidade do banco e o movimento da roda, o descanso e o esforço, o ficar e a viagem. Anulam-se? (Mutuamente se suspendem?) Sem dúvida, interrogam-se. Viajar sem sair do lugar é um saber que adquirimos, do banco do transporte mecânico ao sofá frente à televisão - onde tudo é imagem. Da imagem dos quadros para os objectos tridimensionais, irrelevantes em si, máquinas de fazer pensar. Dois objectos reconhecíveis e úteis tornam-se uma coisa inútil e desconhecida. Perde-se o valor de uso de cada um dos objectos truncados e ganha-se valor de troca.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Arte, produção e consumo na era da (re)produtibilidade técnica: a Pop e o Minimalismo

Jasper Johns (1930), According to What, 1964. Private Collection

Con la crisi dell'oggetto, del sogetto e del loro rapporto, dei processi di pensiero e delle operazionii techiche con cui l'umanità nel corso della sua storia ha continuamente analizzato e definito i rispettivi valori, si chiude il ciclo storico dell'arte. In tutto il tempo che diciamo storico l'arte è stata il modello delle attività con cui il sogetto faceva oggetti e li poneva nel mondo, al mondo stesso assegnando significato di oggetto e ponendolo così come spazio ordinato, luogo della vita, contenuto della coscienza.
La fine dell'opera d'arte come ogetto coincide con la fine dell'idea che l'oggetto costituisca un valore o, a livello economico, un benne patrimoniale. Era inevitabile che l'arte, come attività produttrice di oggetti-valore, finisse nel momento stesso in cui la società cessava di identificare il valore con ogetti destinati a costituire un patrimonio da conservare di generazione in generazione. Lo sviluppo tecnologico industriale ha portato a sostituire all'oggetto individuato e individuante, fatto dall'uomo per l'uomo, il 'prodotto' anonimo, standardizzato, ripetuto in serie illimitate: ad una società che non connette più l'idea del valore alla realtà dell'oggetto non servono oggetti che siano modelli di valore; il lavoro collettivo dell'industria non può prendere a modello il lavoro individuale dell'artista.
G. C. Argan (1909-1992), L'Arte Moderna. 1770-1970, s.l., Sansoni, s.d. [1970], pp. 679-680

Amanhã, 6 de Fevereiro de 2012, a partir das 15 horas, dá-se continuação à Arte, produção e consumo na era da (re)produtibilidade técnica: a Pop e o Minimalismo. No Salão do Ar.Co, na Rua de Santiago.

Esta entrada ("post") servirá para, a seu tempo, disponibilizar materiais de apoio - bibliografia e textos:

terça-feira, novembro 08, 2011

Matthew Barney no Estoril (2011)

Matthew Barney (1967), Drawing Restraint 17, Suiça, 2010

O "Lisbon & Estoril Film Festival" vai possibilitar, amanhã, dia 9 de Novembro, a visualização de Drawing Restraint 17 (2010), Blood of Two (2009), de Matthew Barney e de Sekhem - Khu (Prologue) (2010), de Matthew Barney e Jonathan Bepler. Matthew Barney estará presente, para aquilo que em linguagem do festival se chama uma "Masterclass". Amanhã, no Centro de Congressos do Estoril, a partir das 21:30. O festival permite muitos outros contactos com obras e criadores contemporâneos, pelo que a consulta do programa será de grande utilidade. Destaco a sessão especial dedicada a Jean-Marie Straub (hoje, a partir das 22 horas, no cinema Nimas) e as Leituras no Museu de História Natural e da Ciência, que reúnem Don DeLillo, Paul Auster, Siri Hustvedt e J.M. Coetzee (dia 10, a partir das 18 horas).

Dois avisos: é conveniente confirmar o programa e a presença do artista norte-americano com a organização; a aula de amanhã mantém-se nos termos, horário e local habituais.

Jean-Marie Straub (1933), L'inconsolable, França, 2011

segunda-feira, outubro 10, 2011

Ano lectivo de 2011-2012

Salette Tavares (1922-1994), Aranha, tipografia, 40 cm. x 40 cm., 1963

Mas tão distanciados estamos pela imitação que aquilo que ouvimos nos vem tão sem som como se fosse uma visão que fosse tão invisível como se estivesse nas trevas que estas são tão compactas que as mãos são inúteis. Porque mesmo a compreensão a pessoa imitava. A compreensão que nunca fora feita senão da linguagem alheia e de palavras.
Mas restava a desobediência.
Então - através do grande pulo de um crime - há duas semanas ele se arriscara a não ter nenhuma garantia, e passara a não compreender.
E sob o sol amarelo, sentado numa pedra, sem a menor garantia - o homem agora se rejubilava como se não compreender fosse uma criação. Essa cautela que uma pessoa tem de transformar a coisa em algo comparável e então abordável, e, só a partir desse momento de segurança, olha e se permite ver porque felizmente já será tarde demais para não compreender - essa precaução Martim perdera. E não compreender estava de súbito lhe dando o mundo inteiro.
Clarice Lispector (1920-1977), A Maçã no Escuro, s.l., Relógio D'Água Editores, s.d., pág. 35

O curso "A Arte Moderna" irá funcionar de 10 de Outubro de 2011 a 15 de Fevereiro de 2012, entre as 21 e as 23 horas, no Ar.Co da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa. Corresponde a 64 horas lectivas - 100 créditos.

Recomenda-se a comparência na primeira aula, para apresentação do curso, da bibliografia e dos participantes. Também se recomenda a familiarização com o "blog": consulte-se, para começar, a versão "online" da bibliografia, sem comentários mas incluindo obras entretanto retiradas da versão em papel e uma lista de referências acessíveis através da internet. A etiqueta "bibliografia", na barra lateral de "links", reúne textos e apoio bibliográfico referentes a questões particulares abordadas ao longo do curso. A etiqueta "semestre" reúne, entre outras, entradas que apresentam o curso no início de um novo ano lectivo.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Suspensão - mas à coca

Reconstitução da experiência perspéctica de Brunelleschi (1377-1446) em Florença, c. 1416

O sujeito brunelleschiano espreita por detrás para ver a frente, através do espelho furado que reflecte mas que também é atravessado pelo olhar, conjugando, o espelho, nesse trabalho de reflexão e atravessamento (de suspensão, já que, permitindo ser atravessado, aceita, nesse buraco, deixar de ser espelho), o mundo da realidade quotidiana com o mundo da imagem. Imagem que representa: o referente e a sua imagem estão de um e do outro lado do espelho - pelo buraco vê-se o baptistério, enquanto no espelho se reflecte a imagem (a imagem da imagem, uma vez que a imagem do espelho é o reflexo da imagem pictórica) pintada que representa esse mesmo edifício. Bem avisava Panofsky, em 1927: "A perspectiva é, por natureza, uma espada de dois gumes".

O cá e o lá das imagens, o por cima do suporte e o por detrás - e a expulsão mental desse suporte, trazendo a ficção das imagens para o lado de cá da realidade quotidiana - como se não existisse suporte, como se um quadro fosse uma janela e não um lençol esticado, um miradouro e não um limite. E a recuperação desse suporte como um limite inultrapassável, uma matéria não mais passível de ser excluída das imagens que não podem deixar de se tornar objectos. Num mundo cada vez mais tornado imagem. Da tela de costas das "Meninas" (1656) de Velázquez para a "Olympia" (1863) de Manet, reclinada num espaço discretamente bidimensional. Pôr tinta na tela que está no cavalete, atirar tinta para a tela que está no chão, atirar coisas para o chão.

E por detrás das imagens há buracos mais fundos que os da perspectiva - e a perspectiva já era um jogo complexo entre um para lá fictício da imagem no quadro-janela e o por detrás do suporte, entre o mundo de cá (à frente e atrás do quadro, antes e depois dele) e o mundo da imagem.

O "blog" da Arte Moderna hiberna, mas, por vezes, mexe. Mantenham-se atentos. A acção transfere-se para o "blog" dos Cruzamentos.

Alfred Hitchcock (1899-1980), Psycho, 1960, fotograma

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Boas Festas

Rafael Bordalo Pinheiro, ilustração para O Antonio Maria, 1ª série, nº 84, 6 de Janeiro de 1881, capa

quarta-feira, novembro 10, 2010

Douglas Gordon no Estoril Film Festival

Douglas Gordon (1966), K.364 A Journey by Train, Reino Unido/França, 2010, fotograma

O Estoril Film Festival apresenta hoje K.364 A Journey by Train, de Douglas Gordon, no Pavilhão de Congressos do Estoril, às 22 horas. Douglas Gordon estará presente para um encontro com o público.

O resto da programação, que prevê vários outros encontros e actividades (Laurie Anderson, Domingo, 14 de Novembro, às 18 horas, no Centro de Congressos), não é negligenciável: destaque para a retrospectiva de Chris Marker: hoje, às 19 horas, no Casino do Estoril, La Jetée, de 1962 e Sans Soleil, de 1982. Antes disso, com sessões que se iniciam entre as 15 e as 19 horas, na Casa das Histórias Paula Rego, são apresentadas várias obras do artista norte-americano Lawrence Weiner (1942), que estará presente na sessão das 19 horas.

A aula de hoje, mantém-se, apesar de tudo, no local e horas previstas: Salão do Ar.Co, Rua de Santiago nº 18, em Lisboa, a partir das 21 horas.

Chris Marker (1921), Sans Soleil, França, 1982, 16mm, fotograma.

quinta-feira, outubro 14, 2010

MIIAC

João Paulo Serafim, Sem Título, Museu Improvável, Lambda Print, 90x180cm, 2007

João Paulo Serafim, professor do departamento de fotografia do Ar.Co, apresenta o seu trabalho na próxima sexta-feira, dia 15 de Outubro às 21h00. Sessão aberta ao público e de entrada livre - faz parte da Pós-Graduação "Fotografia, Projecto e Arte Contemporânea", organizada pelo Atelier de Lisboa e pelo IPA - Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos.

Local: IPA, Rua da Boavista, 67, Lisboa (Santos – Cais do Sodré).
Data: 15 de Outubro, 21:00 horas.
Entrada livre.