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segunda-feira, outubro 08, 2012

Ano lectivo de 2012-2013

Robin Fior (1935 - 2012), cartaz para o Ar.Co, 1976

 LE NON SAVOIR DÉNUDE
Cette proposition est le sommet mais doit être entendue ainsi: dénude, donc je vois ce que le savoir cachait jusque-là, mais si je vois je sais. En effet je sais, mais ce que j'ai su, le non-savoir le  dénude encore. Si le non-sens est le sens, le sens qu'est le non-sens se perd, redevient non-sens (sans arrêt possible).
Georges Bataille, "L'Expérience Intérieure" in OEuvres Complètes, vol. V, Paris Gallimard, 1973, pág. 66

Inicia-se, hoje, às 21 horas, na Rua de Santiago nº 18, em Lisboa, mais um semestre do curso A Arte Moderna. É importante a comparência na primeira aula, onde se apresentarão o curso, a bibliografia e os participantes. No "blog", encontrar-se-à a versão "online" da bibliografia, bem como outras informações úteis: a etiqueta "bibliografia", na barra lateral de "links", reúne textos e apoio bibliográfico para questões particulares abordadas ao longo do curso; na etiqueta "semestre" encontrar-se-ão outras entradas que apresentam o curso no início de outros ano lectivos.

segunda-feira, julho 02, 2012

Vanguardas, Neo-Vanguardas e Transvanguardas na colecção


Georges Vantongerloo (1886-1965), SXR/3, 1936, Museu Colecção Berardo, Belém.


Sexta-Feira próxima (dia 6 de Julho) visitaremos o Museu Colecção Berardo - caso haja participantes. Estão todos convidados: os alunos do último semestre, bem como os de outros semestres há mais tempo passados, os alunos da  "Arte Moderna", bem como os dos "Cruzamentos", sózinhos ou acompanhados.

É necessário que, havendo interessados, se inscrevam no "blog", usando a caixa de comentários: sugiram uma hora para a visita  (entradas até às 18:30) e mantenham-se atentos a este "post" Sem inscrições, a visita não se fará. Se preferirem que os vossos comentários não sejam publicados, basta afirmarem-no no próprio comentário. Não hesitem em fazer qualquer outra sugestão.

quarta-feira, maio 02, 2012

Suspensão - uma vez mais

 
Marcel Duchamp (1887-1968), Roda de bicicleta, réplica dos anos de 1960 (?) de uma "assemblage" relaizada pela primeira vez em 1913

A coisa é a seguinte: mais uma peça para juntar à crise do objecto que estudámos nas aulas dos "Tópicos nas Artes do Século XX", a que se refere a entrada anterior - um texto de Paul O'Kane publicado no último número (356, May 2012) da revista britânica Art Monthly.

The Thing
Do you believe in things? asks Paul O'Kane

 
In a western world dominated by immaterial labour, and where scientists and philosophers have thrown into doubt our understanding of physical objects, how have artists – from John McCracken and John Hilliard to Wood & Harrison and Andrew Dodds – questioned and defended the nature of things?
'Sculpture, of all the arts, must surely be responsible for mapping the various journeys of thinghood. "What is a Thing?" – the question Heidegger asked in the 1920s – turns out to be a question that we have to keep asking.'

Suspendemos, numa imobilidade não inteiramente verdadeira e o grosso da acção passa para o blog dos Cruzamentos.

A imobilidade do banco e o movimento da roda, o descanso e o esforço, o ficar e a viagem. Anulam-se? (Mutuamente se suspendem?) Sem dúvida, interrogam-se. Viajar sem sair do lugar é um saber que adquirimos, do banco do transporte mecânico ao sofá frente à televisão - onde tudo é imagem. Da imagem dos quadros para os objectos tridimensionais, irrelevantes em si, máquinas de fazer pensar. Dois objectos reconhecíveis e úteis tornam-se uma coisa inútil e desconhecida. Perde-se o valor de uso de cada um dos objectos truncados e ganha-se valor de troca.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Arte, produção e consumo na era da (re)produtibilidade técnica: a Pop e o Minimalismo

Jasper Johns (1930), According to What, 1964. Private Collection

Con la crisi dell'oggetto, del sogetto e del loro rapporto, dei processi di pensiero e delle operazionii techiche con cui l'umanità nel corso della sua storia ha continuamente analizzato e definito i rispettivi valori, si chiude il ciclo storico dell'arte. In tutto il tempo che diciamo storico l'arte è stata il modello delle attività con cui il sogetto faceva oggetti e li poneva nel mondo, al mondo stesso assegnando significato di oggetto e ponendolo così come spazio ordinato, luogo della vita, contenuto della coscienza.
La fine dell'opera d'arte come ogetto coincide con la fine dell'idea che l'oggetto costituisca un valore o, a livello economico, un benne patrimoniale. Era inevitabile che l'arte, come attività produttrice di oggetti-valore, finisse nel momento stesso in cui la società cessava di identificare il valore con ogetti destinati a costituire un patrimonio da conservare di generazione in generazione. Lo sviluppo tecnologico industriale ha portato a sostituire all'oggetto individuato e individuante, fatto dall'uomo per l'uomo, il 'prodotto' anonimo, standardizzato, ripetuto in serie illimitate: ad una società che non connette più l'idea del valore alla realtà dell'oggetto non servono oggetti che siano modelli di valore; il lavoro collettivo dell'industria non può prendere a modello il lavoro individuale dell'artista.
G. C. Argan (1909-1992), L'Arte Moderna. 1770-1970, s.l., Sansoni, s.d. [1970], pp. 679-680

Amanhã, 6 de Fevereiro de 2012, a partir das 15 horas, dá-se continuação à Arte, produção e consumo na era da (re)produtibilidade técnica: a Pop e o Minimalismo. No Salão do Ar.Co, na Rua de Santiago.

Esta entrada ("post") servirá para, a seu tempo, disponibilizar materiais de apoio - bibliografia e textos:

terça-feira, novembro 08, 2011

Matthew Barney no Estoril (2011)

Matthew Barney (1967), Drawing Restraint 17, Suiça, 2010

O "Lisbon & Estoril Film Festival" vai possibilitar, amanhã, dia 9 de Novembro, a visualização de Drawing Restraint 17 (2010), Blood of Two (2009), de Matthew Barney e de Sekhem - Khu (Prologue) (2010), de Matthew Barney e Jonathan Bepler. Matthew Barney estará presente, para aquilo que em linguagem do festival se chama uma "Masterclass". Amanhã, no Centro de Congressos do Estoril, a partir das 21:30. O festival permite muitos outros contactos com obras e criadores contemporâneos, pelo que a consulta do programa será de grande utilidade. Destaco a sessão especial dedicada a Jean-Marie Straub (hoje, a partir das 22 horas, no cinema Nimas) e as Leituras no Museu de História Natural e da Ciência, que reúnem Don DeLillo, Paul Auster, Siri Hustvedt e J.M. Coetzee (dia 10, a partir das 18 horas).

Dois avisos: é conveniente confirmar o programa e a presença do artista norte-americano com a organização; a aula de amanhã mantém-se nos termos, horário e local habituais.

Jean-Marie Straub (1933), L'inconsolable, França, 2011

segunda-feira, outubro 10, 2011

Ano lectivo de 2011-2012

Salette Tavares (1922-1994), Aranha, tipografia, 40 cm. x 40 cm., 1963

Mas tão distanciados estamos pela imitação que aquilo que ouvimos nos vem tão sem som como se fosse uma visão que fosse tão invisível como se estivesse nas trevas que estas são tão compactas que as mãos são inúteis. Porque mesmo a compreensão a pessoa imitava. A compreensão que nunca fora feita senão da linguagem alheia e de palavras.
Mas restava a desobediência.
Então - através do grande pulo de um crime - há duas semanas ele se arriscara a não ter nenhuma garantia, e passara a não compreender.
E sob o sol amarelo, sentado numa pedra, sem a menor garantia - o homem agora se rejubilava como se não compreender fosse uma criação. Essa cautela que uma pessoa tem de transformar a coisa em algo comparável e então abordável, e, só a partir desse momento de segurança, olha e se permite ver porque felizmente já será tarde demais para não compreender - essa precaução Martim perdera. E não compreender estava de súbito lhe dando o mundo inteiro.
Clarice Lispector (1920-1977), A Maçã no Escuro, s.l., Relógio D'Água Editores, s.d., pág. 35

O curso "A Arte Moderna" irá funcionar de 10 de Outubro de 2011 a 15 de Fevereiro de 2012, entre as 21 e as 23 horas, no Ar.Co da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa. Corresponde a 64 horas lectivas - 100 créditos.

Recomenda-se a comparência na primeira aula, para apresentação do curso, da bibliografia e dos participantes. Também se recomenda a familiarização com o "blog": consulte-se, para começar, a versão "online" da bibliografia, sem comentários mas incluindo obras entretanto retiradas da versão em papel e uma lista de referências acessíveis através da internet. A etiqueta "bibliografia", na barra lateral de "links", reúne textos e apoio bibliográfico referentes a questões particulares abordadas ao longo do curso. A etiqueta "semestre" reúne, entre outras, entradas que apresentam o curso no início de um novo ano lectivo.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Suspensão - mas à coca

Reconstitução da experiência perspéctica de Brunelleschi (1377-1446) em Florença, c. 1416

O sujeito brunelleschiano espreita por detrás para ver a frente, através do espelho furado que reflecte mas que também é atravessado pelo olhar, conjugando, o espelho, nesse trabalho de reflexão e atravessamento (de suspensão, já que, permitindo ser atravessado, aceita, nesse buraco, deixar de ser espelho), o mundo da realidade quotidiana com o mundo da imagem. Imagem que representa: o referente e a sua imagem estão de um e do outro lado do espelho - pelo buraco vê-se o baptistério, enquanto no espelho se reflecte a imagem (a imagem da imagem, uma vez que a imagem do espelho é o reflexo da imagem pictórica) pintada que representa esse mesmo edifício. Bem avisava Panofsky, em 1927: "A perspectiva é, por natureza, uma espada de dois gumes".

O cá e o lá das imagens, o por cima do suporte e o por detrás - e a expulsão mental desse suporte, trazendo a ficção das imagens para o lado de cá da realidade quotidiana - como se não existisse suporte, como se um quadro fosse uma janela e não um lençol esticado, um miradouro e não um limite. E a recuperação desse suporte como um limite inultrapassável, uma matéria não mais passível de ser excluída das imagens que não podem deixar de se tornar objectos. Num mundo cada vez mais tornado imagem. Da tela de costas das "Meninas" (1656) de Velázquez para a "Olympia" (1863) de Manet, reclinada num espaço discretamente bidimensional. Pôr tinta na tela que está no cavalete, atirar tinta para a tela que está no chão, atirar coisas para o chão.

E por detrás das imagens há buracos mais fundos que os da perspectiva - e a perspectiva já era um jogo complexo entre um para lá fictício da imagem no quadro-janela e o por detrás do suporte, entre o mundo de cá (à frente e atrás do quadro, antes e depois dele) e o mundo da imagem.

O "blog" da Arte Moderna hiberna, mas, por vezes, mexe. Mantenham-se atentos. A acção transfere-se para o "blog" dos Cruzamentos.

Alfred Hitchcock (1899-1980), Psycho, 1960, fotograma

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Boas Festas

Rafael Bordalo Pinheiro, ilustração para O Antonio Maria, 1ª série, nº 84, 6 de Janeiro de 1881, capa

quarta-feira, novembro 10, 2010

Douglas Gordon no Estoril Film Festival

Douglas Gordon (1966), K.364 A Journey by Train, Reino Unido/França, 2010, fotograma

O Estoril Film Festival apresenta hoje K.364 A Journey by Train, de Douglas Gordon, no Pavilhão de Congressos do Estoril, às 22 horas. Douglas Gordon estará presente para um encontro com o público.

O resto da programação, que prevê vários outros encontros e actividades (Laurie Anderson, Domingo, 14 de Novembro, às 18 horas, no Centro de Congressos), não é negligenciável: destaque para a retrospectiva de Chris Marker: hoje, às 19 horas, no Casino do Estoril, La Jetée, de 1962 e Sans Soleil, de 1982. Antes disso, com sessões que se iniciam entre as 15 e as 19 horas, na Casa das Histórias Paula Rego, são apresentadas várias obras do artista norte-americano Lawrence Weiner (1942), que estará presente na sessão das 19 horas.

A aula de hoje, mantém-se, apesar de tudo, no local e horas previstas: Salão do Ar.Co, Rua de Santiago nº 18, em Lisboa, a partir das 21 horas.

Chris Marker (1921), Sans Soleil, França, 1982, 16mm, fotograma.

quinta-feira, outubro 14, 2010

MIIAC

João Paulo Serafim, Sem Título, Museu Improvável, Lambda Print, 90x180cm, 2007

João Paulo Serafim, professor do departamento de fotografia do Ar.Co, apresenta o seu trabalho na próxima sexta-feira, dia 15 de Outubro às 21h00. Sessão aberta ao público e de entrada livre - faz parte da Pós-Graduação "Fotografia, Projecto e Arte Contemporânea", organizada pelo Atelier de Lisboa e pelo IPA - Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos.

Local: IPA, Rua da Boavista, 67, Lisboa (Santos – Cais do Sodré).
Data: 15 de Outubro, 21:00 horas.
Entrada livre.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Novo ano lectivo: 2010-2011

Damien Hirst (1965), projecto de baú para a Louis Vuitton, 2009.


O curso irá funcionar de 11 de Outubro de 2010 a 9 de Fevereiro de 2011. Entre as 21 e as 23 horas, no Ar.Co da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa. Corresponde a 64 horas lectivas - 100 créditos.

Não se deve deixar de assistir à primeira aula, onde se apresentarão o curso, a bibliografia e os participantes.

Existe uma versão "online" da bibliografia, sem comentários, mas que inclui obras entretanto excluídas da versão em papel e uma lista de referências acessíveis através da internet. A etiqueta "bibliografia", na barra lateral de "links", compila textos e apoio bibliográfico referentes a questões particulares abordadas ao longo do Curso. A etiqueta "semestre" reúne, entre outras, entradas que apresentam o curso, no início de um novo ano lectivo. Deve, ainda, consultar-se a barra lateral de "links", com atenção, visitar o blog "Cruzamentos" e frequentar, regularmente, o Centro de Documentação (a biblioteca) do Ar.Co, em Almada.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Suspensão

Damien Hirst, The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living, 1992, técnica mista, 213 cm × 518 cm, Metropolitan Museum of Art, New York City

Deixámos o século XIX a caminho de um dos centros nevrálgicos da arte do século XX: a abstracção. Suspendemos o caminho. O "blog" passará a estar num estado de animação suspensa: vivo, com pulsação regular e actividade tendendo para o zero, quase imperceptível, quando muito irregular.

Fica parecido com a cultura (sobretudo a artística) da Civilização Ocidental posterior às revoluções técnicas e políticas de Setecentos e Oitocentos: um catálogo reversível, plural, capaz de ser percorrido para a frente e para trás, em salteado, cruzando elementos temporal e geograficamente díspares. Catálogo em equalização: o "clássico" aproximando-se do "gótico", o erudito do folclórico - e tudo metido no Museu. Um "bric-à-brac" romântico. Ou um monstro do Senhor Barão de Frankenstein. Ou uma duchampiana "assemblage". A Natureza encolhe-se e desaparecerá: paisagem, cenário - enquanto se torna motivo principal de pintura. Nostalgia que faz os pintores procurarem Barbizon em abandono da grande metrópole parisiense - ou Pont-Aven... ou o Tahiti. Com ela vai Deus, que a justificara, que a tornara digna de representação. Deus relojoeiro, independente do mecanismo, despejado da máquina, hipótese privada de que a Ciência, modelo de todos os saberes, não mais necessita. A paisagem urbaniza-se, toma a cidade, agora industrial e mecânica, como modelo. A Natureza torna-se imagem. O Mundo torna-se imagem. O social, jogo de simulações. A máquina produz espaços e tempos. E tira a fotografia.

A acção transfere-se para o "blog" do curso "Cruzamentos".

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Boas Festas!

Joaquim António de Macedo, Barros Laborão (Joaquim José de Barros), António Pinto (pintura), Presépio dos Marqueses de Belas, c.1806, barro, madeira e cortiça, A 358 x L 422 x P 162 cm, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, adquirido em 1937 (compra), MNAA inv. 642 Esc

quarta-feira, outubro 07, 2009

2009 - 2010: um novo ano lectivo

Joseph Mallord William Turner (1775 - 1851), Rain, Steam and Speed - The Great Western Railway, anterior a 1844, óleo sobre tela, 91 x 122 cm, National Gallery, London

Enquanto na estrada se cruzam o automóvel - realização do nosso século - e o carro de bois, velho de 5000 anos, na via férrea silva o combóio que conta uma centúria e corta os ares um jacto recém-nascido. Lado a lado vogam as multisseculares faluas e quase voam as lanchas a gasolina do ski náutico, com leme que data do século XIII e motor que foi concebido ontem. Os pescadores regulam-se pelo Sol para calcular as horas do dia, ao passo que os citadinos constantemente olham para o relógio - complexo resultado do trabalho de tantas gerações de artífices, de tantos estudos de cientistas. E as nossas ideias, os nossos ritos, as nossas instituições, até os nossos sentimentos, as nossas emoções são de diferentes idades (...). Somos contemporâneos de todas épocas, vivemos em todos os países.
Vitorino Magalhães Godinho, Ensaios, Lisboa, Sá da Costa, 1968, vol. II, pág. 152.


O curso irá funcionar entre as 21 e as 23 horas, no Ar.Co da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa, de
7 de Outubro de 2009 a 26 de Maio de 2010. Corresponde a 64 horas lectivas - 100 créditos.

Recomenda-se a assistência à primeira aula, de apresentação, onde serão esclarecidas algumas questões teóricas (de que é que se fala quando falamos de "moderno"?) e práticas relativas ao curso e onde se apresentarão todos os seus construtores, professor e alunos, bem como a bibliografia que o apoiará.

A bibliografia também se encontra "online", sem comentários - e com recentes alterações (já incluídas na versão em papel). A versão "online" inclui obras entretanto excluídas da versão em papel e uma lista de obras existentes na internet.

domingo, dezembro 21, 2008

Festas felizes!

Bob and Roberta Smith, Make Your Own Xmas, 2008, instalação, Tate Britain, Londres

Antes das férias de Natal, a minha mãe disse-me que Marcel [Duchamp] viria visitar-nos à nossa casa de campo de New Jersey. Cheguei na véspera de Natal e dirigi-me directamente à sala para me encontrar com ele. Entretanto, o que vi em primeiro lugar foi a árvore de Natal. Não precisei de perguntar quem a tinha instalado. Em vez de se debater com o tradicional suporte de metal, processo muitas vezes difícil e frustrante, limitou-se a fixar a base do tronco ao tecto, operação que não lhe tomou mais do que alguns minutos. A árvore estava, bem entendido, de pernas para o ar, mas, como ele fez notar com o seu humor habitual, esta orientação deixava mais espaço no chão para os presentes. Passámos juntos um delicioso Natal.

Paul Matisse, "Avant-Propos", Marcel Duchamp, Notes, Paris, Flammarion, s.d. [1999], pp. 9-10

quinta-feira, dezembro 11, 2008

100 anos de cinema

Manoel de Oliveira (1908-2008), A Caça, 1963 (fotograma reproduzido a p/b - sequência final)

A Caça é uma obra prima. (...) É muito importante que tenha levado dois anos e meio para a rodagem. Estava sozinho. Não conseguia terminar a sequência final. Os camponeses faziam a colheita, apanhavam a erva, uma erva dura para fazer o feno, a paisagem mudava. No terceiro ano teve que comprar a colheita. (...) Por fim, a direcção dos actores é muito diferente de tudo, torna-se numa dança de mortos como na pintura medieval, com os esqueletos, as lindas senhoras e o papa...

Paulo Rocha (1935), "Oliveira, o Meu Mito Pessoal" in Catálogo do Festival de Turim, 2000, p. 301


Pieter Bruegel, O Velho (1525-1569), "Parábola do Cego Guiando os Cegos", 1568, têmpera sobre tela, 86 x 154 cm, Museo Nazionale di Capodimonte, Nápoles

sexta-feira, novembro 28, 2008

Arte - Poder - Arte

Piero della Francesca (1416-1492), Virgem com Menino e Santos (Pala Brera/Montefeltro), 1472-74, óleo sobre madeira, 248 x 170 cm, Pinacoteca di Brera, Milano



"The Top 100 at a Glance", ArtReview, nº 27, p. 151.
"Clicar" na imagem aumenta-lhe o tamanho



Hans Haacke, Nachrichten, 1969

segunda-feira, novembro 24, 2008

Life

Fotografia de Martha Holmes para a revista Life, 1949, identificada como "Painter Jackson Pollock (L) looking at drawings with unidentified woman" - noutro local, a identificação é mais específica: "(L-R) Jackson Pollock w. Long Island neighbor, amateur artist Mary Monteverdi, looking over her works". É difícil não pensar em Sam Marlowe, o pintor abstracto de The Trouble with Harry (Alfred Hitchcock, 1955) e na sua rural "art dealer" que acumula funções de proprietária da mercearia e de mãe do chefe da polícia.

O espólio fotográfico da extinta revista Life ([1883-]1936-2007) foi digitalizado pelo Google e oferece um enorme conjunto de imagens, com início na década de 1860 (abundante em cenas da Guerra Civil norte-americana). O "link" permanente para as imagens da Life passa a estar disponível nas barras laterais (à direita) de A Arte Moderna e dos Cruzamentos (secção "Imagens").

Fotografia de Hugo Jaeger, 1939, identificada como "Women in Kutno Poland ghetto where Jews from the area were placed by Germans after the German conquest"

segunda-feira, outubro 06, 2008

A Arte Moderna para 2008-2009

Hans Lencker, Perspectiva literaria, Nürnberg, 1567


Nunca será demais explicar o tema central deste curso: a modernidade do título não se refere ao que é contemporâneo, mas ao período que a tradição historiográfica definiu como a "Idade Moderna" e que situou entre o final da "Idade Média" e a "Idade Contemporânea". Trata-se, portanto, e de um ponto de vista da História da Arte, daquilo que começa a esboçar-se no tempo do "Renascimento" (que não é, no entanto, a única via de modernidade). Como o conceito "Renascimento" (re-nascer, voltar a nascer) indica, aquilo que consideramos novo, iniciando a "modernidade", será justificado pelo muito antigo: a herança greco-romana, "clássica". Mesmo aqui, nesta aceitação do passado há muito consagrado, se insinua uma ruptura: com o presente do "Gótico". O estudo deste despontar e justificar do "moderno" vai lançar-nos para o futuro, até ao presente, seguindo as continuidades e rupturas de um património "humanista" (ou seja: centrado no estudo "arqueológico" dos textos antigos), e vai permitir-nos olhar para o passado - um passado onde se busca uma herança legitimadora do moderno e um outro com o qual se rompe: teremos de olhar para os "Antigos", tal como o Renascimento os viu (para, depois, introduzirmos o nosso olhar contemporâneo sobre as antiguidades gregas e romanas), assim como seremos conduzidos a estudar "românicos" e "góticos", para melhor delimitarmos (entre permanências e rupturas) a modernidade.

Esta viagem faz-se através dos objectos e práticas que etiquetamos como "Arte": começaremos por ver a arte nascer. Nascer na Europa, entre os séculos XIV e XV, irmã do capitalismo, da indústria, da burguesia, legitimando a superioridade daqueles artesãos que centravam o valor da sua actividade no trabalho intelectual, por oposição ao trabalho manual. Interessar-nos-ão, exclusivamente, a pintura, a escultura e a arquitectura. E apenas as que herdam a tradição europeia, por extensões coloniais ou globalizadoras. Nada de tapetes persas, portanto.

Recomendam-se as visitas às bibliografias apresentadas neste "blog" (ver barra lateral) e ao Centro de Documentação (biblioteca) do Ar.Co. A frequência regular do "blog" é encorajada.

O curso começa dia 6 de Outubro. Todas as Segundas e Quartas entre as 21 e as 23 horas. Até 11 de Fevereiro de 2009. No Ar.Co, em Lisboa, na Rua de Santiago, 18. 64 horas lectivas. 100 créditos.


Hans Lencker, Perspectiva literaria, Nürnberg, 1567

sexta-feira, julho 25, 2008

Ter um livro para ler e não o fazer

William Hogarth (1697-1764), Industry and Idleness - Plate V - The Idle 'Prentice Turned Away and Sent to Sea, gravura em John Trusler, The Works of William Hogarth: Containing One Hundred and Fifty-nine Engravings, Londres, J. Sharpe, 1821, vol. I

O Google permite, através do serviço "Book Search", constituir uma biblioteca pessoal (mediante registo, através de email+password), a partir dos milhões (?) de títulos digitalizados pela empresa: alguns desses títulos não são folheáveis ("No preview available", "Snippet view"), outros são-no parcialmente ("Limited preview") e outros são-no inteiramente ("Full view") e alguns (muitos!) até podem ser descarregados ("download") para o nosso disco rígido. Convido-vos a visitar a minha biblioteca pessoal, acrescentada de etiquetas e de notas. O recurso de busca 'Search "Tower of Googel's library"' permite procurar qualquer palavra ou frase em qualquer livro da biblioteca. Ofereço-vos, como exemplo, os livros etiquetados "Art". Para terem acesso a toda a biblioteca, basta clicarem em "Books in Tower of Googel's library", no topo da coluna da esquerda.

Juntámos mais uma revista de arte "online" à nossa barra de "links": a Modernism, especializada em "design". Para a consultarem (gratuitamente) "online" têm, apenas, de facultar um "email". A consulta cibernética (através do Yudu) inclui a possibilidade de descarregar (fazer o "download" de) a revista.

Tenham umas boas férias.